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Fonte: Valor Econômico – data: 15/12/2015

O Grupo Petrópolis, dono de 13 marcas de cerveja incluindo Itaipava, encerra o ano de 2015 com um desempenho de vendas acima da média do mercado e espera nova expansão em 2016, com a sua entrada nos mercados do Norte e do Sul do país e a ampliação da linha de cervejas especiais.

De janeiro a novembro deste ano, as vendas da Petrópolis no Brasil cresceram 10% em volume, em relação a igual período de 2014. Nesse mesmo intervalo, a produção de cerveja no país encolheu 1,8%, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A Petropólis, segundo a Nielsen, chega ao fim do ano com 13,2% do mercado de cervejas no país à frente da Heineken (9,4%) e da Brasil Kirin (8,3%) e perdendo apenas para a Ambev, com 68,4% do mercado. 

A maior parte do crescimento neste ano veio do reforço das operações no Nordeste, diz Eliana Cassandre, gerente de propaganda do Grupo Petrópolis. A fábrica em Itapissuma (PE), com capacidade para produzir 600 milhões de litros por ano, entrou em operação em abril. A Petrópolis instalou a primeira fábrica no Nordeste há um ano e meio, em Alagoinhas (BA), com a mesma capacidade de produção. Com a fabricação local, a companhia dobrou a participação de mercado na região, ganhando espaço deixado pela Brasil Kirin. 

O reforço na operação no Nordeste, diz Eliana, permitiu ao grupo chegar rapidamente à segunda colocação no mercado de cervejas do Nordeste com a marca Itaipava, atrás da concorrente Skol (da Ambev). Em Pernambuco, por exemplo, a companhia chega ao fim do ano com 19% do mercado. Na Paraíba, a Itaipava tem 20,7%. Na Bahia, a participação é de 14%; em Alagoas, 12%; e no Ceará, 11%. O ganho de mercado se deu principalmente em cima das vendas da Brasil Kirin, dona da marca Schin. 

A companhia tem como meta para o próximo ano crescer mais de 5% em volume de vendas, diz a gerente de propaganda. Para a marca Itaipava, carrochefe da companhia, a previsão é manter uma expansão de dois dígitos em vendas no próximo ano. Para isso, será reforçada a distribuição no varejo de autosserviço (como supermercados e hipermercados) e a entrada em mercados onde a companhia ainda não atua, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. O grupo ainda espera colocar no mercado pelo menos uma nova linha de cervejas especiais, para aproveitar a demanda ainda aquecida neste segmento do mercado. 

“O próximo ano vai ser acirrado para o mercado de cerveja. Na avaliação da companhia, para se sobressair é preciso colocar a cerveja na mão de quem gosta da bebida. Distribuição é a palavra chave para o próximo ano”, afirma Eliana. A executiva disse que a companhia avançou no plano de expansão nacional nos últimos anos, fechando 2015 com operação em 25 Estados, mas ainda há áreas não atendidas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. “Boa parte do crescimento no próximo ano virá do alcance desse público novo”, diz Eliana. 

Além do avanço na distribuição no Nordeste, a Petrópolis reforçou neste ano as vendas no país no varejo de autosserviço (supermercados, hipermercados e outros), segmento do varejo que apresenta melhor desempenho na venda de cervejas, por conta de inflação mais baixa em comparação a bares, restaurantes e botecos. De janeiro a novembro, o preço da cerveja, medido pelo IPCA, acumula alta de 10,2%, segundo a CervBrasil. A alta supera a inflação geral, de 9,6% no período. A cerveja vendida no varejo de autosserviço aumentou 7,8% em 11 meses. Já os preços em bares, restaurantes e outros estabelecimentos subiram 11,6%.

O avanço no segmento de autosserviço também foi uma estratégia adotada pelas rivais Ambev e Heineken neste ano. A Ambev reforçou a distribuição no autosserviço e as linhas de cervejas especiais e outras bebidas de maior valor agregado. De janeiro a setembro, as vendas da Ambev no Brasil caíram 2,3% em volume, para 81,7 milhões de hectolitros, e cresceram 8,4% em receita, para R$ 17,9 bilhões. A Heineken também reforçou a operação no varejo e se viu favorecida pela demanda por cervejas especiais. A companhia informou que cresceu dois dígitos ao longo do ano. 

A Brasil Kirin, que manteve uma operação mais tímida em autosserviço, enfrentou mais dificuldades para reagir em um ano de consumo mais retraído. Dona da marca Nova Schin, a Brasil Kirin registrou queda de 28,9% nas vendas de janeiro a setembro, chegando a 98,4 bilhões de ienes (R$ 3,1 bilhões). Para o ano, a companhia prevê queda de 22,9% em receita, para R$ 4,43 bilhões. 

Para o período de verão, a Petrópolis vai reforçar as parcerias em bares e botecos para ampliar as vendas de doses. No segmento de autosserviços, o grupo vai retomar promoções que oferecem descontos para a compra da segunda caixa de cerveja da marca. Atualmente, segundo Eliana, 60% das vendas do Grupo Petrópolis são feitas em bares, restaurantes, botecos e outros estabelecimentos. O autosserviço representa 40% das vendas. 

A empresa produz em Teresópolis (RJ) três marcas de cervejas especiais: Black Princess, Petra e Weltenburger Kloster. “As cervejas especiais são consumidas principalmente pelas classes A e B, que ainda não sofreram um grande impacto da crise econômica”, diz Eliana. A companhia prevê lançar em 2016 pelo menos um novo sabor para as especiais já existentes. 

A Petrópolis ainda não fechou o plano de investimentos para 2016. Neste ano, a companhia orçou investimento de R$ 771,8 milhões, aplicados na fábrica nova, na melhoria da distribuição e no desenvolvimento de produtos. Eliana disse que o investimento será mais baixo no próximo ano, considerando que a companhia não vai instalar uma cervejaria nova. O grupo já anunciou que vai instalar uma maltaria no município de Araucária (PR) no próximo ano, com investimento de R$ 200 milhões. A meta do grupo Petrópolis é fechar 2015 com receita de R$ 12 bilhões, 35% maior que a receita obtida no ano passado. 

O Grupo Petrópolis emprega 26 mil pessoas no Brasil em 7 fábricas. É dona das marcas de cerveja Itaipava, Petra, Crystal, Lokal, Black Princess, Weltenburger; dos energéticos TNT Energy Drink e Magneto; do isotônico Ironage; das vodkas Blue Spirit Ice e Nordka e da água Petra.